sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O que fazer quando os acidentes de trabalho começam a ser constantes na empresa

A Previdência social a partir da legislação art. 10 da Lei 10.666/2003; que institui o FAP (Fator Acidentario de Prevenção), ou seja a possibilidade de majoração da tarifa paga pelas empresas de acordo com o CNAE (Classificação Nacional de Atividade Economica); fará com que as empresas tenhão um custo maior se tiverem mais acidentes. A empresa muitas vezes não sabe o que fazer para diminuir ou evitar acidentes. muitas vezes são adotados procedimentos que parecem servir para tudo tais como EPI e treinamento. Estes procedimentos são importantes porem destaco que deveriam estar encadeados em ema sequencia lógica e combinados com outros procedimentos. Cada caso é um caso a ser analisado e não há uma solução geral que funcione sempre. A elaboração de um projeto de prevenção de acidentes integrado a gestão de Segurança do Trabalho de cada empresa seria uma condição ideal. O maior problema neste sentido é que nem todas as empresas disponibilizam ou tem recursos suficientes para tal nivel de organização na área de Segurança do Trabalho. Muitas delas não possuem enquadramento para que tenham um profissional de Segurança do Trabalho trabalhando dentro da empresa mas possuem riscos que muitas vezes se encontram fora de controle. Destaco um pequeno roteiro a ser cumprido, porém lembro que deve ter o acompanhamento de um profissional de Segurança do Trabalho:
1- Sempre que acontecem acidentes os mesmos devem ser investigados mesmo que não causem lesões ou prejuízos materiais. A analise das proteções coletivas e de maquinas é fundamental nesta fase. O objetivo desta investigação deve ser conhecer as causas do acidente e propor soluções;
2- A investigação do acidente deve gerar um relatorio com soluções possiveis para o controle das causas do acidente e um cronograma de implantação destas soluções;
3- Devem ser avaliados se os Equipamentos de Proteção Individual do setor estão realmente adequados para controlar os riscos do setor. Se preciso devem ser substituidos imediatamente;
4- Tendo os equipamentos adequados os funcionarios devem ser treinados sobre as praticas seguras a serem adotadas no ambiente de produção;
5- Deve haver uma conscientização continua sobre as praticas seguras e um monitoramento de seu cumprimento caso contrário não terá valor nenhum o esforço de empresa até esta etapa;
6- Deve ocorrer um monitoramento periodico da empresa levantando causas que possam gerar acidentes e sempre que necessário voltar a etapa 2 do roteiro e atuar de forma preventiva.
A empresa deve sempre se antecipar aos riscos e desta forma evitar acidentes e custos desnecessários. Os custos com Segurança do Trabalho se pagam ao longo do tempo.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

SST – UMA ÁREA NÃO APENAS UM ESPAÇO

A prevenção brasileira ainda caminha por dias muito difíceis. Muitos são os problemas estruturais de nossa área de trabalho e poucos são os que de fato atuam ou trabalham da direção de corrigi-los. Falta ao profissional prevencionista brasileira visão estratégica – tanto do ponto de vista social como do profissional.

Poucos percebem que na verdade que a grande maioria dos problemas que envolvem a área fazem parte de uma única cadeia e que tentar discutir isoladamente as partes é chover no molhado, ver os anos passando e as cenas e fatos se repetindo. Com um pouco de atenção e análise talvez seja possível entender melhor esta cadeia e atuar de forma organizada e consistente sobre as verdadeiras causas. Discutir situações pontuais – sem olhar o todo – é perder mais tempo.

A situação da prevenção me lembra de certa forma o comercial de um famoso biscoito – onde a dualidade de conceitos no deixa eternamente em duvida. A maioria dos debates que assisto – me lembram cães correndo atrás do próprio rabo – onde quase não se percebe que ao atingir o objetivo irá lesionar-se. Se desejamos algo do futuro é bom então que repensemos o mais breve possível a nossa forma de olhar a prevenção pois sem isso não iremos ao futuro.

Uma boa análise a ser feita é tentar entender onde as questões de SST deveriam estar inseridas no contexto social. Muitos de nós que atuamos nesta área não percebemos mais que estamos falando não apenas de uma planejamento a mais no contexto empresarial – mas falamos de vida e dignidade e esta natureza mista de nossa área – que vive no limiar das coisas do dinheiro e das coisas da vida – jamais poderia ser perdida de vista. Então há de se entender que boa parte dos problemas passa por esta forma de visão – digamos assim – pelo menos equivocada da natureza e finalidade de SST. Interessante ressaltar o quanto isso tem haver com a imaturidade geral da sociedade brasileira e assim analisarmos o quanto entender o contexto geral é uma necessidade dos profissional de qualquer área – especialmente da nossa. Fica claro que em muitos casos a questão da ausência de respeito a SST – nada mais é do que mais um dos reflexos do total despreparo social que temos para respeitar a vida no contexto geral da sociedade. Na minha forma de ver não uma questão única e dirigida as questões de violência no trabalho – mas um problema muito maior no qual estamos inseridos. Em um país onde acaba sendo normal matar pelo mal uso de veículos. Matar pela certeza impunidade – acaba sendo implícito que matar no trabalho também é licito.

Então muito antes de simplesmente aplicarmos técnicas ou importarmos modelos – há necessidade de trabalharmos duro na revisão de nossos próprios entendimentos e mais ainda na compreensão do grau de maturidade social dos atores envolvidos no processo de definição e implementação de políticas de SST. Se não fizemos isso – o vácuo entre o comportamental e o entendimento e as práticas – será sempre fator determinante para que as coisas não funcionem. Como fazer isso – digamos –e tarefa para especialistas em equipes multidisciplinares – questão que estão muito além da simplicidade com que ora encaramos os fatos e da omissão das autoridades que precisam atentar para a gravidade da situação e através dos meios que já definiu – Comitês – possibilitar uma revisão mais ampla dos conceitos. De tudo – apenas a certeza de que não vai ser com a visão de apenas um ou dois lados que encontraremos um caminho: saúde não é negócio, saúde não é política e menos ainda moeda de troca.

Um outro ponto de fundamental relevância diz respeito ao posicionamento e espaço da áreas de SST dentro das empresas. Isso merece análise rigorosamente cuidadosa – até porque em algumas empresas chega a ser contraria as finalidades e preceitos dos famosos Sistemas de Gestão. Interessante que no Sistema da Qualidade é clara e obvia a necessidade de se ter uma figura “forte” para implantação e manutenção do Sistema – mas os chamados Sistemas de SST tem sido diferentes. Isso nos leva a crer – não generalizando – que muda-se apenas a forma de tramitar papeis – mas forma de acontecer segue sendo a mesma. De forma geral – as estruturas de SST estão dentro das empresas ancoradas em áreas onde pouco ou nada podem decidir e disputando verbas dentro de orçamentos voltados a questões pelo menos menores do que o direito a ida e saúde. Muito interessante analisarmos isso – porque todos os dias ouvimos histórias de colegas abismados quando sua gerencia decidiu que era mais importante trocar o carpete da sala do diretor do que instalar ventilação em áreas produtivas. Obvio, que as empresas tem direito e autonomia para decidirem como gastam seu dinheiro – mais evidente que as empresas tem o DEVER – e este vem antes do direito – de preservar a saúde dos cidadãos que emprega como mão de obra. Então aqui confundem-se o licito empresarial com a obrigação e certamente todos sabem a ordem dos fatores. Situações assim são mais do que comuns – sem que se faça qualquer averiguação mais profunda. Tornou-se um hábito – até porque adoecer e matar trabalhadores é algo que não gera muitos problemas. Interessante num pais que se cria tantas leis – a cada minuto por cada coisa – que ninguém tenha ainda atentado para a necessidade de definir o quanto uma empresa deve destinar pelo menos a questões de SST. Assim vemos por ai empresas imensas com orçamentos ridículos para nossa área – quando o tem. Ora é conhecido e possivelmente estimável estudar o quanto é necessário para fazer uma prevenção mais real. Em outras oportunidades já defendi e continuo defendendo que nosso governo deveria – com critérios bem definidos e transparentes – determinar que as despesas que SST sejam por alguns anos dedutíveis no Imposto de Renda – visto que trata-se de assunto de interesse geral.

Tudo que expomos acima carece no entanto de agentes sociais que exponham a realidade, apresentem os anseios e trabalhe junto a sociedade para que se tornem realidade. Nisso – somos omissos – pois entendemos prevenção de forma diminuta e não conseguimos entender que os esforços isolados pouco contribuem para que a realidade mude. Agimos assim por não ter visão ampla da situação – por não entender a profundidade, extensão e gravidade do assunto. O problema da prevenção não vai ser resolvido do debate entre os profissionais do SESMT: nossa situação não vai mudar com mais este ou aquele papel – o problema é maior e mais complexo.

Espero que os profissionais que hoje chegam ao mercado em conjunto com o que ai estão e tem visão lúcida e ampla consigam atuar de forma mais ampla e em direção as estruturas equivocadas. Assim teremos futuro – e muitos trabalhadores também.

domingo, 30 de setembro de 2012

SEGURANÇA QUE NINGUÉM QUER VER

Ao longo dos anos quem trabalha acaba entendendo na prática e a duras penas aquela velha estória que explica a valorização do ovo da galinha em detrimento ao ovo da pata.
Nestes 15 anos de prevenção de acidentes tendo a oportunidade de desenvolver atividades continuamente no chamado chão de fábrica e ao mesmo tempo participar e acompanhar os grandes debates relativos da área entendo que há necessidade de urgentemente juntar as duas prevenções de acidente – ou seja – a prevenção do dia a dia – feita pelos chamados SESMT e a prevenção teórica discutida e tratada por aqueles que mesmo com muita boa vontade e conhecimento pouco ou nada conhecem sobre a realidade desta área. Esta dicotomia – que em nosso país não é um privilegio da área prevencionista - ao longo do tempo prestou uma serie de desfavores que por fim veio a atingir mesmo aos operários contribuindo em alguns casos para a involução da segurança e saúde no trabalho. Não creio que de fato exista de qualquer uma das partes algum tipo de intenção de causar danos, vejo mesmo até certa boa vontade – no entanto longe vai o tempo onde apenas boa vontade tinha algum valor.

Independente do que venha acontecer no futuro – neste momento difícil de precisar já que as negociações relativas a NR 4 ainda encontram-se em temas de fácil acordo – é importante que nos – os profissionais que conhecemos a esquina onde a prática encontra-se com a teoria estejamos atentos acima de tudo como especialistas e como cidadãos para que não se faça deste segmento algo inviável e especialmente que não se remeta a questão da vida e saúde para um campo de interesses nebulosos.

Notoriamente, os problemas de segurança e saúde no Brasil não estão na legislação – reconhecida pelas vozes e mentes mais conscientes da comunidade prevencionista deste país como moderna e adequada.

Difícil supor que as nossas NR não cumpram seu papel, quando na verdade em boa parte dos locais de trabalho elas não são cumpridas.

Sabemos – não por informações e notas – que nas empresas onde os programas de segurança são efetivos – e estes elaborados a partir das NR – o índice de prevenção mostra-se em muitos casos superior ao obtido em paises do chamado primeiro mundo mesmo que tenhamos por aqui máquinas obsoletas e outras condições um tanto quanto complexas.

Com certeza podemos dizer que é verdade que o modelo do SESMT do Brasil deu certo mas é claro que não nos referimos a teoria do SESMT e sim a sua aplicação na prática e por toda sua extensão.

Penso que seja preciso coragem para partirmos em direção a um estudo onde seja possível mostrar a evolução da prevenção em dois modos distintos, sendo o primeiro no segmento de pouco menos de 2 % das empresas instaladas no Brasil que mantém o SESMT e o segundo nas demais empresas.

Dizer ou afirmar que o SESMT não contribuiu ou contribui para a melhoria das condições de segurança do trabalho em nosso país sem que seja feita esta avaliação é algo pelo menos tendencioso e sem qualquer validade estatística.

Tenho em mãos as estatísticas de 12 grandes empresas que atuam no Brasil. Sem exceção em todas elas os números mostram que alguma coisa mudou.

Numa comparação simples fica fácil entender que estas empresas tal como outras tantas ao longo dos últimos estiveram expostas a todo tipo de pressão dos fatores externos. De diferente, encontro apenas que estas empresas cumprem a NR 4 e mantém em seus quadros grupo de profissionais prevencionistas atuantes. Obviamente sei também que estas empresas passaram na ultima década por alguns momentos com problemas relativos à prevenção. Estudando os casos, encontramos momentos da história da relação capital – trabalho que tiveram forte influencia, casos como a abertura com poucos critérios das terceirizações por exemplo. Vale aqui citar a situação pela qual passa uma grande e conhecida empresa nacional – que no passado recente era referencia em termos de prevenção de acidentes mesmo quando comparada com outras similares do chamado mundo moderno. Até onde sei desde muito a atividade desenvolvida por esta empresa enquadra-se no rol das atividades industriais de maior risco, mas também sei que durante muito tempo não se tinha noticias de acidentes mais graves em suas instalações.

É fato – possível de constatação quando estudado – que nas empresas onde o SESMT foi estabelecido o padrão de segurança e saúde ampliou-se e consolidou-se. Tal constatação pode ser feita com facilidade desde que levado em conta o bom senso.

O QUE NINGUÉM VÊ
Alguém precisa dizer para algumas pessoas menos avisadas que estamos no Brasil.

Esta é uma premissa essencial para qualquer debate que queira ter a seriedade como base.

Alguém precisa um dia falar com seriedade sobre as coisas que fazemos aqui e deixar de vez por todas de tentar impor que ou adotamos modelos externos ou não sobreviveremos.

A prevenção de acidentes brasileira é com certeza uma das áreas que mais evoluiu nas ultimas décadas.

O formato dado ao SESMT, CIPA e outras iniciativas tomadas nesta direção é compatível com a cultura de nossa gente, com a necessidade de estabelecer um processo educativo e cultural capaz de corrigir erros grosseiros na nossa estrutura porquanto sociedade industrializada.

Não quero dizer com isso que tal estrutura ou modo de gestão para o assunto deva ser definitiva – creio que um dia chegaremos ao tempo onde de fato como em tudo na evolução tenhamos necessidade de rever o modo atual. No entanto, no presente momento de nossa história mudar este modelo é pelo menos temeroso.

Primeiro porque não temos ainda no seio de nossa sociedade uma cultura mais arraigada com relação ao real conceito de saúde. Vivemos ainda em um país onde é possível a troca de saúde por adicionais e isso ocorre num momento econômico onde tais adicionais fazem muita diferença nos ganhos dos trabalhadores.

Apenas este fato por si já demonstra a imaturidade de alguns envolvidos na questão e nos levam a ter duvidas de como irão portar-se caso tenham para si a responsabilidade de tratar o assunto.

Ora, é preciso que fique claro – em especial para aqueles que distante de tendências queiram de fato entender o assunto – que não foi e nem é o SESMT que se empenha para a manutenção e obtenção destes adicionais – antes – ao longo dos anos os SESMT se empenharam e tem conseguido trabalhar em prol da eliminação dos riscos. Isso é um fato palpável em muitas empresas por todo o país e em alguns casos com soluções de tal forma criativas que já há algum tempo vem sendo adotadas em outros paises que se espelham na nossa Engenharia de Segurança para encontrar soluções para seus problemas.

Questão de prevenção de acidentes no Brasil, passa como todas as demais questões estruturais, como assunto que carece de ser olhado com seriedade.

Quando deparamos com as noticias de acidentes fatais nos jornais que lemos chama a atenção uma questão das mais interessantes: Não falta know how para que tais acidentes sejam evitados – a grande maioria deles ocorre pela inobservância de questões primárias da prevenção.

A maior condição insegura deste país é a certeza da impunidade que tem lugar comum ao lado de todas as demais barbáries que vemos. É certo que por todo mundo acidentes – situações inesperadas ou não programadas – ferem, mutilam e matam. Mas também é certo que há muito tempo nos paises evoluídos acidentes como o que vemos em nossos noticiários deixaram de ocorrer na quantidade que ocorrem por aqui. Isso já é uma realidade dentro das empresas onde os SESMT atuam e de certa forma cumprem o papel da autoridade. Nos demais locais de trabalho – de onde as autoridades e a justiça mantem-se distantes não seria a falta do SESMT algo a ser pensado ?

Ontem li nos jornais o caso de mais um acidente fatal, onde o trabalhador veio a cair de uma obra de um prédio em SP.

Na própria noticia – escrita por alguém que não tem qualquer conhecimento mais profundo de nossa área – está explicito que o empregado não tinha qualquer tipo de equipamento de segurança.

Todos os dias tomamos conhecimento de casos assim, mas há muito tempo – se prestarmos atenção – não temos mais noticias deste tipo – ocorridos dentro de empresas de grande porte. Será que os telhados e fachadas destas empresas - algumas delas com mais de 4 mil empregados em constantes obras, tem alguma diferença destas que encontramos em cada esquina deste país ?

Parece-me simplório demais não querer ver a realidade.

Seria importante que neste momento estivéssemos discutindo – como há uma proposta em estudo – a universalização do SESMT. Tratando disso com certeza estaríamos prestando um grande favor ao país e sua gente. Pode ser que isso incomode alguns segmentos – sem o profissional especializado para dar parâmetros ao debate – a tratativa das questões de segurança e saúde podem ser conduzidas sem qualquer critério para o campo do negocio onde na maioria das vezes não há qualquer interesse real pela saúde e segurança das pessoas. No entanto – e preciso que aqueles que tanto defendem os modelos vindos do exterior tenham coragem de dizer que em muitos paises modernos do mundo isso é uma realidade. Dia destes, auxiliando na tradução técnica de uma auditoria de um sistema de gestão vinda de um destes paises constatei que a primeira pergunta era exatamente quanto ao estabelecimento receber algum tipo de suporte especializado sobre segurança e saúde – isso independente do numero de empregados ou grau de risco. Tal questão – em meio a um calhamaço de questões relativas a certificação para um dado sistema, quando não atendida, implicava na não certificação.

Eis ai mais uma questão que ninguém quer ver: onde ocorrem os acidentes do trabalho no Brasil ? Nas empresas com SESMT ou nas 98 % das empresas que não tem qualquer tipo de cobertura especializada ?

Não é preciso estatística, basta ler jornais todos os dias. Basta participar de grupos sociais de sua comunidade e lamentavelmente constatar que o grupo de mutilados e inválidos já não passa desapercebido. Basta tomar ciência que em SP criou-se a Associação das Viúvas de Mortos por Acidentes na Construção Civil. Dê uma volta no quarteirão de sua casa e veja quantas obras encontra sem qualquer cuidado de segurança.

OS CAMINHOS DO FUTURO
Os caminhos que hoje vemos pela frente, no meu entendimento não se mostram consistentes a ponto de levarem a todas as mudanças sobre as quais ouvimos falar.

Tentar colocar num mesmo momento o fim do SESMT dentro das empresas e a privatização do seguro acidente e ir de encontro a uma realidade que vai causar muitos problemas.

Hoje, todas estas deficiências e buracos que vemos no modo de gestão do assunto em muitos casos acabam não onerando a empresas devido a postura paternalista e sem gerenciamento da previdência pública. Com isso quero dizer que parte do buraco deixado pela ausência e falta de atuação do prevencionista nas empresas é assumido e pago pelo Estado deixando parte do empresariado sem muitas preocupações com o assunto.

Em suma, é possível não pagar pela prevenção porque também não se paga pela falta dela.

No entanto, no momento em que estivermos diante destas seqüelas tratadas como parte de um negocio – que como todo negocio deve dar lucro – estaremos diante de um grande centro de conflitos.

Penso que pouca gente se deu conta disso. Para garantir menores custos com seguros as empresas irão precisar mais do que nunca do SESMT e a retirada deste dos locais de trabalho – seja pela criação do suposto SEST Coletivo ou algo assim – será mais uma grande desfavor ao cidadão que ao final de tudo estará mais vez – se o rumo das coisas não for mudado – arcando com o repasse dos custos nos produtos – para pagar pela falta de condição de segurança nos locais de trabalho. Ou seja – a mudança do seguro acidente e o afastamento simultâneo do SESMT dos locais de trabalho – serão pagos com certeza por todos nós.

Para evitar isso – que com certeza será a saída encontrada – há necessidade de trabalharmos a transição do modelo atual do SAT para o privatizado com a manutenção e ampliação dos Serviços Especializados em Segurança e Saúde. Talvez seja este o modelo correto para o Brasil.

Portanto, cabe-nos contribuir – tanto pelos interesses da prevenção essencialmente dita, como pelos interesses gerais do país, para que o debate hoje em curso sobre a NR 4, encontre resguardo na contribuição que conduza a decisão ao interesse geral.

Nenhum debate ou nenhuma decisão que não leve em conta as questões culturais – seja do empresariado – seja do trabalhador – irá de encontro a soluções e propostas que façam frente a realidade.

Neste momento, o papel do prevencionista como quem pode oferecer subsídios para um debate mais realista – torna-se de suma importância.

Precisamos dizer a comunidade em geral, aos grupos sociais organizados e as cabeças que dirigem este país – sem fazer aqui trocadilho – o rumo mais seguro para este assunto.

Com a palavra os especialistas práticos – que ao longo dos anos mostraram-se tecnicamente por demais capazes, mas politicamente verdadeiras nulidades.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012



ELIMINANDO UM RISCO - SEGURANÇA NAS MEDIÇÕES ELÉTRICAS

Objetivo:


Este trabalho apresenta um procedimento seguro para a medição de tensão em



circuitos com alto potencial de curto.



Introdução:


Durante os trabalhos de manutenção é freqüente a necessidade de verificar os



valores da tensão elétrica em barramentos ou painéis, quando trabalhamos em circuitos de

controle só teremos a preocupação com o risco de choque elétrico facilmente controlado com

as proteções DR’s, mas quando temos a necessidade de efetuar a medição em circuitos de

potência nos expomos ao risco de criar um arco elétrico com sérias conseqüências. Acidentes

com arco elétrico durante as medições são raros, mas quando ocorrem deixam grandes

prejuízos materiais, humanos e perdas de produção.



Procedimento atual:


Para efetuar intervenções em circuitos em circuitos com potencial de



curto circuito é necessária a utilização de uma vestimenta de proteção compatível com as

instalações (proteção pessoal) e a utilização de instrumentos (CAT III -1000V no mínimo) e

ferramentas adequadas ao serviço. Lembrando que toda intervenção em circuitos elétricos

devem ser efetuadas com o sistema desenergizado conforme procedimento normalizado pela

NR-10 (desligar; confirmar ausência de tensão; bloquear; sinalizar e aterrar). Quanto às

medição de tensão é impossível efetuar a desenergização do circuito. Existe por parte dos

fabricantes de instrumentos de medição a preocupação em oferecer instrumentos com vários

itens de segurança como: alarme de escala incompatível com a posição das pontas de prova;

bateria descarregada (fraca); alarme sonoro no caso de efetuar medição com a escala errada;

suportar sobrecargas gerando um alarme sonoro; fusíveis internos com alta capacidade de

interrupção.

Os instrumentos de medição devem ser conservados sempre em condições de uso (limpos,

secos e com baterias em bom estado), não devemos utilizar instrumentos duvidosos em

hipótese alguma, dando atenção especial para as pontas de provas que serão o primeiro ponto

a entrar em contato com o circuito energizado, qualquer anormalidade observada estas

devem ser substituídas. Mesmo com todas as precauções ainda estaremos vulneráveis a

possíveis falhas que poderão advir de algum imprevisto durante a medição, como exemplo:

danificação da isolação dos cabos das pontas de prova em alguma rebarba do painel; curto

circuito interno no instrumento; transientes oriundos de manobras de carga na rede elétrica,

que geram picos de tensão e podem iniciar o arco voltaico no interior do instrumento; etc.



Procedimento proposto


:



Utilização de pontas de provas protegidas por fusíveis de alta capacidade. Os fusíveis são

aplicados logo após a parte metálica da ponta de prova protegendo todo o sistema de

medição.

Abaixo temos as pontas de prova indicadas, só foi encontrado no mercado um modelo de

ponta de prova que atendesse as características de segurança proposta (Silvertronic USA), no

mercado nacional não foi encontrado nenhum produto. 1000 Volt CAT III e com fusíveis de alta

capacidade para 50 KA. O modelo é compatível com todos os instrumentos de categoria de

segurança III.

Para as pontas de prova acima foram feitos alguns ensaios para demonstrar a proteção

oferecida em comparação com a ponta de prova normalmente fornecida com os instrumentos.



•


Fonte de corrente: Utilizamos um gerador para solda com capacidade de 425 Ampéres



cc. A utilização de uma fonte industrial (480V) causaria um arco com potencial de

acidente pessoal e perturbações na rede elétrica (exceto se realizado em um

laboratório para este fim);



•


Descrição do ensaio: As pontas de prova foram submetidas à pior condição de



trabalho, um curto circuito franco. As pontas foram ligadas diretas simulando um curto

circuito no instrumento e nos conectores utilizados para o medidor (plug´s) foram

aplicados os pólos positivo e negativo do gerador para solda. Ao se energizar o gerador

um arco é gerado nas pontas de prova, onde poderemos comparar a eficiência das

pontas protegidas.



•


Observação: No ensaio utilizamos uma fonte de corrente de 0,45KA, mas em circuitos



industriais podemos atingir correntes muito maiores (até 50KA dependendo da

instalação)



•


No primeiro ensaio utilizamos pontas de prova normalmente fornecida com os



instrumentos e no segundo ensaio utilizamos a ponta de prova com fusíveis.

1º Ensaio: Pontas de prova comuns

2º Ensaio: Pontas de prova protegidas

Resultados:



Conclusão:


As pontas de prova protegidas vão aumentar a segurança para os profissionais e



instalações, mas não deve ser negligenciado o uso dos EPI’S normalmente utilizados na

execução das tarefas, Análise de riscos (APR) mesmo se a intervenção tiver caráter de

emergência. A SEGURANÇA ESTÁ ACIMA DE TUDO.

Vanderley Espósito Martins

Técnico eletrotécnico

CREA SP-97.270T/D